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Uma administração eficiente é o segredo para se destacar no mercado |
Uma das maiores vantagens competitivas das organizações do mundo globalizado é a qualidade da gestão. Esse conceito estratégico pode definir o futuro da empresa e decretar seu sucesso, declínio ou desaparecimento. A excelência administrativa nada mais é do que um conjunto de princípios e valores que são incorporados e colocados em prática por uma instituição, visando os melhores resultados financeiros e o bom atendimento ao cliente. Pode ser aplicada por empresas públicas ou privadas, organizações nãogovernamentais (ONGs) ou outras corporações, de qualquer porte ou setor. "Ao instituir um modelo de gestão, a empresa mostra disposição em aumentar a sua competitividade, fundamental para a sobrevivência", afirma o superintendente geral da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), Antonio Tadeu Pagliuso. A FNQ é uma entidade sem fins lucrativos, certificadora e, ao mesmo tempo, centro de estudos e debates sobre excelência em gestão.
Na opinião do executivo, o fato de ter um core business (a parte central de um negócio) diferenciado, não isenta qualquer instituição de se organizar como uma empresa. "Excelência em gestão é a meta a ser atingida por todas as organizações, independentemente do porte e do setor de atuação", revela. Na visão do diretor da consultoria especializada em bens de consumo e varejo Mixxer, Eugênio Foganholo, para uma gestão competitiva é preciso ter humildade. "É necessário aprender continuamente. Pouco valem reflexões como 'tenho vinte anos de experiência no varejo'. A questão é: esses vinte anos têm sido de aprendizado constante ou não?", provoca. "Reaprender significa de fato mudar. E não são todos que estão dispostos a isso", avalia.
Quando submetida ao modelo de excelência em gestão, a organização consegue perceber com mais clareza os pontos fortes e fracos e corrigir o que é necessário. "Estamos no meio do processo de gestão do varejo, mas já pudemos sentir o quanto precisamos melhorar, pois somente ao receber os relatórios das curvas ABC para a programação de produção já ficamos espantados", revela presidente da Farmafort, Rodney Segura Manão. A curva ABC é utilizada para a administração de estoques e também para a definição de políticas de vendas ou estabelecimento de prioridades. "Muitas vezes compramos um produto por pensar que é vendável, mas quando olhamos com critério os relatórios que o Painel de Gestão do Varejo (PGV) nos oferece, entendemos que colocamos o dinheiro no lugar errado. A excelência em gestão é para nós uma busca constante." Um aspecto importante ao se adotar um modelo de gestão é saber se ele proporciona um equilíbrio entre todos os aspectos da organização. "Os modelos chamados de classe mundial, baseados em valores que permitem ser adotados em qualquer parte do mundo, incentivam à autoavaliação freqüente e à melhoria contínua, o que contribui para que a empresa avance constantemente", explica o superintendente da FNQ.
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"Ao instituir um modelo de gestão, a corporação mostra disposição em aumentar a sua competitividade, fundamental para a sobrevivência".
Superintendente geral da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), Antonio Tadeu Pagliuso. |
Os modelos de gestão de classe mundial, entre os quais está inserido o Modelo de Excelência da Gestão (MEG), organizado pela FNQ e composto por onze fundamentos (que são os pilares de uma boa gestão), foram concebidos como diretrizes que podem ser utilizadas por empresas de qualquer área. Isso porque não são sistemas rígidos e fechados, mas sim um conjunto de orientações e indicações que pode ser adaptado às particularidades de cada organização ou setor. "Adotar um modelo de gestão não significa engessar, mas planejar e adequar a empresa de forma inteligente para os desafios da competitividade global", avalia o consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de São Paulo, Renato Fonseca de Andrade. As corporações que conseguem avançar dentro desses conceitos, apresentam nível de desempenho superior à média global.
Uma questão de sobrevivência
Mas nem sempre as empresas estiveram preocupadas com o assunto no Brasil. O movimento em prol da excelência em gestão começou há 16 anos, com a abertura do mercado. Até 1990, o protecionismo existente no País deixava as empresas nacionais em uma posição ao mesmo tempo confortável e de estagnação. "Se por um lado elas se consideravam praticamente garantidas, pela falta de concorrência internacional, por outro, elas não avançavam", lembra Pagliuso. Inicialmente, muitos empresários não sabiam o que fazer com as mudanças que se avizinhavam, mas, aos poucos, perceberam que se tornar competitivo era uma questão de sobrevivência. "Foi nesse momento que nasceu a FNQ, quando um grupo de empresários brasileiros foi buscar no exterior experiência e aprendizado para as organizações", conta o superintendente. No começo, as atividades da entidade eram voltadas quase exclusivamente à promoção do Prêmio Nacional da Qualidade, principal incentivo para a melhoria da gestão nas empresas. "Nesses 16 anos, percebemos um crescimento da preocupação e da mobilização das organizações brasileiras em se tornar competitivas, tanto no mercado interno quanto no externo. E elas sabem que o caminho é a boa gestão", diz Pagliuso.
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