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| O homem visionário traça o caminho certo para alcançar os seus objetivos |
Aldeia de Velosa, Portugal, 1953. Embalado pelo sonho de ter uma vida melhor na América do Sul, o patriarca Antonio Saraiva embarcou para o Brasil, deixando a esposa, Júlia Saraiva, que estava grávida. O filho primogênito do casal nasceu em junho do mesmo ano. Seis meses depois, ela também viajou para São Paulo com o bebê no colo e a família se reencontrou. Três anos mais tarde, decidiram se mudar para o Paraná, instalandose na cidade de Santo Antonio da Platina, onde Alberto passou toda a sua infância, retornando à capital paulista somente aos 17 anos de idade. No município no norte do Paraná, Antonio Saraiva se tornou representante de doces e balas. Acompanhando o pai, o filho mais velho despertou interesse pelo comércio.
O jovem Alberto, entretanto, alimentava um sonho maior: o de ser médico. Tal motivo o levou de volta à grande metrópole para prestar vestibular e ingressar na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Em 1973, após três tentativas consecutivas, ele foi finalmente aprovado. Tinha, então, 20 anos de idade. Com o ingresso de Alberto na faculdade, os Saraiva decidiram fixar residência na capital paulista no mesmo ano. Antonio Saraiva adquiriu uma padaria e, semanas depois, o estabelecimento foi assaltado e o patriarca Saraiva, assassinado.
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“GRANDES EMPREENDEDORES, ESPECIALMENTE AQUELES QUE COMEÇARAM DO ZERO, OLHAM PARA O FUTURO. POR ESTA RAZÃO, NÃO SE IMPORTAM EM TRABALHAR QUANTAS HORAS FOREM NECESSÁRIAS, TÊM SEMPRE NOVAS IDÉIAS E ACREDITAM MAIS NA EMPRESA”
presidente do Habib’s, alberto saraiva |
Como filho mais velho, Alberto não encontrou outra alternativa e responsabilizou-se pelo sustento da família. Trancou a matrícula na faculdade e, a duras penas, passou a administrar o empreendimento do pai: “A padaria estava cercada por outras e não tinha visibilidade para a clientela. Os equipamentos eram ultrapassados e eu não tinha nenhuma experiência no ramo. Mas com ela aprendi grandes ensinamentos, os quais aplico até hoje nos meus negócios”, conta.
Lá, Alberto percebeu que preço é extremamente importante. Naquela época, o valor dos pães era tabelado e o empresário comercializava o produto a uma cifra 30% menor do que a de tabela. Resultado: o estabelecimento, antes escondido pela concorrência, passou a atrair mais clientes. O comerciante também entendeu a importância de, literalmente, colocar a mão na massa: “Aprendi a fazer pão e consegui a qualidade desejada nos meus produtos”, assinala. Mais ou menos seis meses se passaram a partir dessas iniciativas e a panificadora de Alberto Saraiva já era considerada a melhor do bairro.
Um ano depois, Alberto vendeu a padaria e voltou a estudar. Formou-se em Medicina em 1980, mas continuou a atuar, paralelamente, em diferentes segmentos da alimentação, transformando lanchonetes e restaurantes em negócios lucrativos e bem-sucedidos. Sempre que obtinha sucesso em um empreendimento, passava-o à frente. Tal atitude, contudo, teve um fim na década de 80. Depois de conhecer os segredos da comida árabe pelas mãos do cozinheiro Paulo Abud, que produzia alguns itens dessa culinária típica para comerciantes que trabalhavam no centro de São Paulo, descendentes de países árabes, Alberto Saraiva decidiu montar um fast food árabe, não apenas voltado para a colônia de descendentes, mas também para o paladar dos brasileiros em geral. E com um ingrediente a mais: produtos de alta qualidade a preços extremamente acessíveis conceitos mantidos à risca desde os tempos da padaria. Em 1988, no bairro da Lapa, na cidade de São Paulo, foi inaugurada a primeira loja Habib´s.
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