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| Em pessoas predispostas a complicações respiratórias, a incidência de casos aumenta no inverno |
Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que a cada ano mais de 350 mil brasileiros dão entrada nos hospitais, em decorrência da asma. Cerca de 12% de todas as internações do sistema público ocorrem por causa dessa doença, seguida de pneumonia e da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). O Ministério da Saúde calcula um gasto de R$ 600 milhões por ano com o tratamento da asma. No sistema público brasileiro, a doença foi a quinta causa de hospitalização em 2003, totalizando 780 mil internações de pessoas de todas as idades. Quando considerados os casos entre a população com menos de 40 anos de idade, ela passa a ocupar a terceira posição, com 255 mil internações. É uma das principais causas de atendimento dos prontossocorros, tanto de crianças quanto de adultos. Em serviços de urgência, a doença tem sido responsável por 16% dos atendimentos em pediatria e 12% em adultos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), de 4% a 12% da população mundial tem asma, ou seja, de 100 a 150 milhões de pessoas. Nos Estados Unidos, a prevalência é de 49 casos para cada 1 000 habitantes, ou seja, aproximadamente 13 milhões de doentes.
A asma é a falta de ar (dispnéia) que ocorre devido ao fechamento dos bronquíolos. Quando acompanhada de processo inflamatório nos bronquíolos terminais, é chamada de bronquite. Sua incidência em pessoas com predisposição genética aumenta no inverno, principalmente por causa da inversão térmica. Também na primavera as crises podem se agravar bastante em alérgicos a pólen, ácaros, fungos e até mesmo a alguns medicamentos. Essas doenças respiratórias requerem tratamento médico. A conduta mais usual é o uso de medicamento broncodilatador, aplicado por meio de nebulização (ou inalação), que introduz a substância diretamente no aparelho respiratório.
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"O TEMPO DE INALAÇÃO É UMA DAS CARACTERÍSTICAS MAIS IMPORTANTES, POIS EM CASOS DE CRISE RESPIRATÓRIA A AGILIDADE É IMPRESCINDÍVEL PARA O PORTADOR SE ESTABILIZAR"
Sócio-gerente da Soniclear, Roberto Luiz de Almeida Haushahn |
A popularização dos inaladores de uso doméstico tornou o tratamento fácil e cômodo, e também mais econômico, não apenas em casos de asma e bronquite mas também em situações de congestão nasal, sinusite e outros casos alérgicos. Isso se deve ao fato de a via de administração com menores efeitos colaterais, mais rápida e com menos uso de medicamento ser a via inalatória. Os aparelhos de inalação disponíveis no mercado podem ser divididos em duas categorias: dos mecânicos, que utilizam um compressor elétrico, e dos ultrasônicos, considerados mais modernos e mais silenciosos, que fracionam o medicamento líquido em uma névoa microscópica de aerossol. "Os inaladores são utilizados principalmente em crianças. No entanto, com medicamentos, como corticóides, devem ser usados os inaladores com compressor a ar, que são mais eficientes. O equipamento ultrasônico é mais adequado para resfriados", explica a presidente da Associação Brasileira de Asmáticos (Abra), Zuleid Mattar. Ela acrescenta que a inalação deve ocorrer em posição sentada, com a máscara próxima do corpo, e as crianças não devem fazê-la com chupeta.
Um milhão de aparelhos vendidos
O crescimento das vendas de inaladores é inversamente proporcional ao termômetro. Quanto mais frio o clima, mais aquecido está o mercado. De maneira geral, percebe-se uma demanda superior nas farmácias entre os meses de abril e outubro (cerca de 60% a mais que nos demais meses). Pode-se dizer que é um segmento que distribui um milhão de inaladores ao ano. "As mudanças climáticas têm favorecido as inversões térmicas em qualquer época do ano e a poluição nos grandes centros prejudica o sistema respiratório. Fatores como esses contribuem para a grande procura pelos aparelhos durante o ano todo", ressalta o gerente de marketing da NS, Ideroni Alves de Oliveira. O executivo acrescenta que no Sudeste se concentra o maior consumo dos produtos, cerca de 70% das vendas. "Como 80% das compras são decididas no ponto-devenda, para o farmacêutico melhorar o resultado, ele deve expor os inaladores em local privilegiado. Além disso, precisa manter sempre o maior número possível de produtos nas gôndolas. Outro ponto fundamental é oferecer treinamento ao balconista, que deve saber manusear perfeitamente o material. Acredito que a exposição adequada melhora as vendas de inaladores em cerca de 90%", diz Oliveira.
NO CAIXA DA FARMÁCIA
Embora a venda de inaladores se intensifique entre os meses de abril e de outubro, o mercado fica realmente aquecido no inverno. Para o consumidor final, o preço da maioria dos aparelhos está em torno de R$ 150,00. Portáteis saem, em média, por R$ 200,00. As farmácias comemoram sua larga comercialização no período, já que os produtos proporcionam margem de lucro entre 40% e 50%. Por este motivo os fabricantes aconselham a colocá-los nas pontas das gôndolas e ao lado do soro fisiológico. É importante também que os farmacêuticos expliquem ao consumidor que a indicação dos equipamentos de uso doméstico não é só para a asma e bronquite, mas também para alívio da congestão nasal, da sinusite e de outros casos alérgicos. Devem deixar claro, porém, que a orientação médica é primordial. |
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