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NORDESTE: O NOVO POOL DA DISTRIBUIÇÃO
Os bons índices econômicos nos últimos anos impulsionaram o mercado de medicamentos na região, delineando um cenário promissor para o segmento

POR ANGÉLICA PINHEIRO

© shutterstock

Estimulado pelo aumento da renda da população, câmbio estável e implemento dos medicamentos genéricos, o mercado farmacêutico brasileiro ultrapassou, pela primeira vez, a marca dos US$ 10 bilhões em receita gerada pela indústria, acumulando, em 2007, mais de US$ 12 bilhões. Segundo dados do instituto que audita o mercado farmacêutico, o IMS Health, o valor de vendas em 2006 tinha atingido US$ 9 bilhões, aproximadamente 30% superior à cifra registrada em 2005, de US$ 7 bilhões. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos), a indústria farmacêutica registrou alta de 10% em 2007, em comparação com 2006, e de 5% em unidades. No ano passado, foi vendido mais de 1,51 bilhão de unidades de medicamentos no País.

© DIVuLGAÇÃO
No centro de distribuição da Profarma, os medicamentos seguem um critério rigoroso de qualidade

Os números são expressivos e, dentre os territórios que melhor refletem esse comportamento do mercado, está a região Nordeste, que, com a economia nacional equilibrada, foi a que apresentou a maior elevação da renda média familiar entre os anos de 2005 e 2006. Segundo a última Pesquisa Nacional de Domicílios (PNAD), a região atingiu crescimento de 12% e a renda familiar média passou de R$ 676,74 para R$ 761,16. Com isso, o mercado de distribuição local, que se encontra em franca movimentação, já apresenta uma mudança de perfil. Algumas empresas cresceram significativamente e outras se uniram. Além disso, novos centros de atuação surgiram pela abertura de capital das que obtiveram recursos para abater dívidas e crescer em praças onde ainda não estavam localizadas.

A explicação é simples. Com mais dinheiro no bolso, a população comprou mais e a venda de bens de consumo – entre os quais estão incluídos os medicamentos – também aumentou. Em 2006, o mercado farmacêutico nordestino cresceu 3%, de acordo com dados do setor. Os indicadores da região são igualmente consideráveis. Bahia, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Rio Grande do Norte representam mais de 10% do mercado farmacêutico nacional. Juntos, esses Estados movimentaram cerca de US$ 1,4 bilhão, entre dezembro de 2006 e novembro de 2007.

© FOtOs DIVuLGAÇÃO
“ESTE ANO INICIAMOS A TERCEIRA ETAPA DE EXPANSÃO (...). A IDÉIA É QUE AO FINAL HAJA, APROXIMADAMENTE, 400 LOJAS EM MAIS DE 160 CIDADES”
Gerente de marketing da rede Pague Menos, Aline Mota Albuquerque Loureiro

Mercado concentrado
Até poucos anos atrás, os laboratórios davam preferência a distribuidoras pequenas para atingir as regiões mais remotas do País. Atualmente, eles não têm o mesmo comportamento. O mercado, cuja expansão na década de 1970 foi fomentada por linhas de crédito vantajosas e melhor administração de estoque na época da hiperinflação, transferiu-se para Estados como a Bahia, o Ceará e Pernambuco, que ofereceram incentivos fiscais para a instalação na região. A partir da metade da década de 1990, entretanto, com o advento do Plano Real, muitas empresas sofreram um revés. Agora, além de lidar com margens mais apertadas e concorrência mais acirrada, alguns fabricantes optam por reduzir o número de distribuidores, concentrando a atividade em, no máximo, cinco parceiros. A estimativa das empresas é que somente as três maiores do mercado – Panarello, Profarma e Santa Cruz – detenham cerca de 40% das vendas de medicamentos do País.

Com tudo isso, o campo é bem fértil. Presente no Nordeste desde 2004, quando instalou uma unidade na Bahia, a Profarma inaugurou, somente no ano passado, mais duas unidades na região: no Ceará e em Pernambuco. Para 2008, novos investimentos estão previstos. “O Nordeste segue como o foco da companhia. O aumento do poder aquisitivo da população local colocou a região entre os principais mercados do segmento e merece a nossa atenção”, revela o presidente da distribuidora, Sammy Birmarcker. A empresa, sediada no Rio, foi uma das pioneiras do setor a abrir o capital e ganhar fôlego para abater dívidas e crescer em outras praças. Os resultados foram positivos. Em média, a companhia tem crescido 25% ao ano, com expectativa de expansão maior. Em 2006, a Profarma registrou faturamento de R$ 1,4 bilhão até o terceiro trimestre, totalizando R$ 1,9 bilhão no ano. Somente no acumulado até o terceiro trimestre do ano passado, a Profarma já havia faturado R$ 1,8 bilhão.

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Edição 193 - Dezembro/2008

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