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| Cada olho produz uma imagem separada e o cérebro cria a imagem que enxergamos |
Engrenagem perfeita. É assim que pode ser classificada a visão humana. Dos cinco sentidos, esse é o que provê o maior volume de informações a serem processadas pelo cérebro. A parceria entre a máquina cerebral e os olhos permite, por exemplo, que sejamos capazes de ver a diferença entre um animal qualquer e um galho em menos de 20 milissegundos, o que torna o sentido fundamental para a sobrevivência da espécie. "Sabemos que o nosso sistema ocular, embora fantástico, pode apresentar muitas falhas. A águia e a coruja têm sistemas diferentes, que focalizam a distâncias incríveis, mas isso é importante para esses animais e não sei até que ponto seria interessante para o ser humano. As espécies se adaptam para o meio em que vivem", afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares (IMO).
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"NOS ÚLTIMOS ANOS, HOUVE PROGRESSO NA REALIZAÇÃO DA CIRURGIA DE CATARATA. ALÉM DE SEGURAS, AS LENTES INTRAOCULARES, IMPLANTADAS DURANTE A CIRURGIA, TÊM A FUNÇÃO DE AJUSTAR A VISÃO CONFORME A NECESSIDADE"
Virgílio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares (IMO) |
Para entender o funcionamento dessa máquina, basta imaginar uma bola com três camadas. A primeira, externa, é aquela na qual fica a parte branca do olho, a esclera, e uma calota transparente, a córnea. A camada intermediária é formada pela coróide, membrana entrecortada de vasos sangüíneos que irrigam a retina. Na parte frontal da coróide fica a íris, que dá cor ao olho, onde, bem no centro, fica a pupila. Logo atrás da pupila existe uma lente, o cristalino, estrutura com capacidade para focalizar os objetos. A camada mais interna é a retina, que age como uma espécie de tapete, revestindo toda a coróide. "Todo esse processo é logicamente organizado. Exemplo? Quando há luz, esta atravessa a córnea, a pupila e chega à retina, onde se processa a primeira fase da visão. Então a imagem é transferida para o cérebro, onde se finaliza todo esse caminho", detalha o médico.
Apesar de uma lógica quase cartesiana para o seu funcionamento, o olho não está livre de doenças. Os problemas oculares dividem-se em dois grupos. No primeiro, figura o que os especialistas chamam de imperfeições: a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo e a presbiopia. Problemas que podem ser corrigidos com cirurgia ou com o uso de lentes de contato ou óculos. No segundo, estão as doenças graves: a catarata, o glaucoma, a degeneração macular, a retinopatia diabética, entre outras.
A catarata aparece, geralmente, depois dos 65 anos de idade, quando o cristalino perde a transparência, e a visão começa a diminuir gradativamente. O tratamento da doença é cirúrgico. Substitui-se o cristalino verdadeiro por uma prótese. Já o glaucoma é um mal silencioso, não emite sinais ou sintomas. Por esse motivo, lidera o ranking das causas de cegueira no mundo. Surge, geralmente, naqueles com mais de 40 anos e com histórico de doença familiar. "Ele destrói o nervo óptico - órgão responsável por levar a informação visual da retina até o cérebro -, e a única maneira de descobrir a sua existência é visitar o oftalmologista anualmente após os 40", orienta Centurion. O tratamento médico pode incluir desde a indicação de colírios até a aplicação de laser ou intervenção cirúrgica. Vale ressaltar ainda que, dentro da retina, existe uma região chamada de mácula, que possibilita nitidez à visão. Essa é a área afetada pela degeneração macular. A doença, segunda maior responsável por grandes problemas oculares, acomete com freqüência os maiores de 70 anos. Apresenta sintomas como desconforto e má qualidade da visão. O tratamento pode ser feito com colírios, laser, cirurgia ou aplicações de injeções dentro do olho. Já a retinopatia diabética, caracterizada por alterações vasculares, provoca pequenos sangramentos nos vasos. "Se esses sangramentos perdurarem, começam a prejudicar a visão, podendo chegar a um estágio irrecuperável. Os diabéticos devem fazer consultas regulares ao oftalmologista e controlar o diabetes, tais medidas podem preservar a visão", afirma o especialista.
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