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Janela da alma Sim, essa pode ser a definição para o espetacular sistema oftalmológico, responsável por um dos sentidos mais importantes para o corpo humano: a visão. Orientar o cliente sobre prevenção e cuidados com os olhos é um verdadeiro benefício que a farmácia pode oferecer POR JANAÍNA GIMAEL E ANDRÉIA BRASIL
MORTEIROS, ÁGUA QUENTE, SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS... TODO CUIDADO É POUCO
Queimadura ocular é a causa de cerca de 10% dos casos de traumas na visão. As queimaduras mais conhecidas são provocadas por agentes térmicos, como fogos de artifício, água fervente e metal em altas temperaturas, principalmente o alumínio, ou por agentes químicos, como substâncias alcalinas e ácidas: soda cáustica, cimento e outras. Em caso de acidente, o tratamento imediato deve ser a irrigação abundante do olho, ou seja, é preciso lavar com muita água. "Quanto maior o intervalo de tempo entre o acidente e a irrigação com água, pior o prognóstico. Não se deve esperar por soro fisiológico estéril ou soluções neutralizantes", informa o oftalmologista Eduardo de Lucca, do IMO. Também não é recomendável colocar gelo, passar borra de café, creme dental ou pomada. Após a lavagem inicial, a pessoa que sofreu queimaduras deve ser levada imediatamente ao pronto-socorro, para receber tratamento médico adequado. "O exame físico deve ser feito também por um clínico e um otorrinolaringologista, pois muitas substâncias químicas são aspiradas ou engolidas no momento do acidente e podem existir queimaduras também no trato respiratório, na boca ou no esôfago", explica Lucca.
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"OS PAIS PRECISAM SABER QUE A FALTA DE HIGIENE PODE LEVAR A INFECÇÕES, COMO CONJUNTIVITES OU BLEFARITES"
Maria Carrari, oftalmopediatra do Instituto de Moléstias Oculares (IMO) |
Inovações tecnológicas em nome da visão
A medicina, em especial a área de oftalmologia, é uma das que mais se beneficiam com as inovações tecnológicas. O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da Universidade de São Paulo (USP), está, por exemplo, desenvolvendo o Olho Virtual, um conjunto de softwares que pode reproduzir, com fidelidade, fenômenos ainda não compreendidos que acontecem no olho humano. "Ele tenta modelar no computador os aspectos ópticos e fisiológicos desse órgão humano. São realizadas aferições oculares de uma pessoa por meio de equipamentos oftálmicos e, neste caso, criado um olho virtual com base nestes dados. Desse modo, o olho virtual consegue ter o comportamento que teria o olho desta pessoa em que foram realizadas as medidas", explica o professor Odemir Martinez Bruno, um dos coordenadores do projeto. O equipamento, que, por enquanto, é utilizado somente em laboratório, poderá colaborar para pesquisas de fenômenos do sistema de visão e para a clínica. "Em um futuro próximo, ele poderá auxiliar o médico na análise de um paciente, mostrando na tela do computador detalhes do funcionamento do olho e simulando o melhor procedimento cirúrgico para determinado caso", diz Bruno.
Bastante utilizadas pela oftalmologia, as próteses oculares são outros instrumentos que contam com avanços tecnológicos. Para Rodrigo Meyer, oftalmologista especializado em cirurgias com próteses, "o ponto alto da prótese ocular é que ela devolve a autoestima, é a qualidade de vida que ela proporciona ao paciente. Depois que ele coloca a prótese, o convívio social e o profissional melhoram, pois o problema não fica mais exposto".
Independentemente do problema ocular, uma questão é certa. Todo e qualquer problema oftálmico deve ser acompanhado pelo médico. Sem a orientação de um especialista, o uso de qualquer substância pode causar sérios danos à visão. A detecção precoce de doenças e os cuidados médicos prescritos podem ser bem positivos, afinal o olho é uma estrutura frágil.
SÃO 27 MIL CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL
Até mesmo os recém-nascidos podem sofrer danos oculares. Segundo estimativa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o Brasil tem mais de 27 mil crianças cegas e 83 mil com baixa visão. O que assusta é que, no mundo todo, mais da metade dos casos poderiam ser evitados: 15% com tratamento e 28% com prevenção. Doenças como a toxoplasmose, a rubéola congênita e a deficiência de vitamina A podem ser evitadas durante a gravidez, por isso é tão importante ter informação sobre o tema. Com o recém-nascido, um cuidado importante é a limpeza dos olhos. "Os pais precisam saber que a falta de higiene pode levar a infecções, como conjuntivites ou blefarites", informa Maria Carrari, oftalmopediatra do IMO. Para evitá-las, é preciso limpar os olhos do bebê, na hora do banho, com um chumaço de algodão umedecido em água morna. "Caso haja alguma secreção, fica mais fácil removê-la com uma gaze macia e dobrada ao meio", ensina Maria. Segundo ela, a água boricada deve ser evitada, pois pode provocar a formação de cristais e irritar ainda mais a área. Cotonetes e colírios não devem ser usados. Crianças na primeira infância podem sofrer com a presença de vícios de refração, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, que devem ser corrigidos com o uso de óculos ou lentes de contato. O estrabismo também é freqüente nessa faixa etária, além das conjuntivites infecciosas e alérgicas. Os óculos de grau só podem ser receitados pelo oftalmologista. "As armações devem ser, de preferência, de acrílico, por serem mais resistentes. Devem estar bem adaptadas ao rosto da criança, não podem estar soltas nem apertar o nariz ou a parte atrás das orelhas", informa Maria. Se a criança e a família optarem pelo uso de lentes de contato, "a adaptação deve ocorrer com a supervisão do oftalmologista", diz. |
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Edição 192 - Novembro/2008 |
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