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Um mercado vitaminado Em busca do bem-estar e de uma vida mais saudável, o consumidor inclui vitaminas sintéticas no dia-a-dia e contribui para o crescimento da categoria Por Sibele Oliveira
O uso de vitaminas e polivitamínicos é indicado para pessoas que não suprem suas carências nutricionais por meio da alimentação. Entre os motivos que contribuem para esse quadro, destacam-se a ingestão de quantidade insuficiente de alimentos, uma dieta inadequadamente composta do ponto de vista qualitativo e o aumento das necessidades de vitaminas e minerais devido a fatores biológicos. As conseqüências são desequilíbrio do metabolismo, cansaço, menor capacidade para enfrentar situações que exigem esforço físico, irritabilidade, falta de concentração, depressão, maior suscetibilidade a infecções e dificuldade para a recuperação de doenças, entre outras.
A indústria farmacêutica disponibiliza produtos para as diferentes necessidades e fases da vida dos consumidores. De acordo com a nutróloga e professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Eline Soriano, as mulheres que pretendem engravidar, por exemplo, devem suplementar a alimentação com ácido fólico e ferro da pré-concepção (quatro meses antes da gravidez) até o aleitamento materno, pois isso ajuda na formação da medula óssea e no desenvolvimento geral da criança. A suplementação é indicada, também, para pacientes que apresentam doenças como depressão grave e anorexia nervosa, os quais costumam restringir a alimentação. No caso dos idosos, a vitamina D é indispensável para ajudar a fixar o cálcio nos ossos e, assim, controlar a perda da densidade óssea, que ocorre com o passar do tempo. Os complexos vitamínicos devem ser incluídos na dieta dessa população também quando há baixa ingestão alimentar. As vitaminas são importantes aliadas dos médicos durante o desenvolvimento infantil, fase na qual a desnutrição costuma ter conseqüências mais graves. Segundo a pediatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e nutróloga, Anne Lise Brasil, a suplementação vitamínica e medicamentosa só é necessária quando existe carência nutricional e deve ser prescrita pelo médico", explica. A nutróloga da Unesp alerta para a importância do uso moderado e sob orientação. "O grande perigo da ingestão de doses elevadas é que nem sempre o excesso é excretado pelo organismo. Dessa maneira, o paciente fica sujeito aos efeitos colaterais da toxidade de cada nutriente", adverte. Por outro lado, os micronutrientes sintéticos repõem apenas as vitaminas e minerais, mas não suprem os macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídeos). As vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) são as que oferecem maiores riscos à saúde, quando consumidas em grande quantidade, pois dependem de lipídeos para serem absorvidas. Já as hidrossolúveis (vitaminas B1, B2, B3, B6, B12, C, ácido fólico, ácido pantotênico, niacina e biotina) geralmente são excretadas pelos rins, pois são solúveis em água, mas as altas dosagens podem ocasionar a formação de cálculos renais, principalmente em idosos, que apresentam uma diminuição do funcionamento renal.
Uma categoria que não pára de crescer O crescimento do mercado de vitaminas e polivitamínicos se deve, fundamentalmente, à conscientização da população brasileira sobre a importância de ter uma dieta mais saudável e da preocupação com a longevidade, saúde e bem-estar. "Hoje em dia, mesmo as pessoas com alimentação adequada podem necessitar de algum tipo de suplemento vitamínico. É comum a ingestão de fast-food e alimentos industrializados, em detrimento de frutas e verduras, o que ocasiona um déficit de vitaminas e minerais. Além do mais, a quantidade de vitaminas dos alimentos pode variar, pois são sensíveis ao calor, à umidade, ao ar e à luz e podem ser destruídas na preparação dos alimentos, durante o armazenamento, a produção ou o transporte", expõe a gerente de trade marketing do grupo de nutricionais e dermatológicos da Bayer, Kelly Shastin. |
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