Para facilitar a constatação de genuinidade de um medicamento, a Anvisa tem duas propostas para investigar o caminho dos medicamentos desde a produção até o balcão das farmácias. Uma prevê a definição de mecanismos de rastreamento e autenticação de medicamentos; a outra é um controle eletrônico por meio de código de barras.
Segundo o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), no Brasil, a falsificação e o roubo de cargas de medicamentos são responsáveis por prejuízos que ultrapassam a casa do US$ 1 bilhão em sonegação fiscal. Na opinião do diretor de marketing das Drogarias Bifarma, Hudson Carlos Correa, rastrear todo o caminho que um medicamento percorre, desde a fabricação até a chegada às mãos de um consumidor, será um processo que irá beneficiar muito o varejo farmacêutico. Como as tecnologias a serem implantadas seguirão rígidas normas e o roubo de mercadoria, acredita-se, será reduzido.
"Infelizmente, o roubo de carga de medicamentos é freqüente. No final de 2007 nosso depósito foi roubado, e não foi descoberto o destino de uma grande quantidade de medicamentos. Com o rastreamento, será fácil localizar onde a outra parte desses medicamentos está sendo comercializada", explica Correa. Para o executivo da Bifarma, as farmácias têm visto sua lucratividade ser reduzida, ano após ano, por causa das constantes reduções nas margens de lucro e dos aumentos dos custos - sem contar a crescente competitividade, que os obriga a aumentar os descontos, reduzindo as margens. "No varejo farmacêutico temos que concorrer com farmácias que praticam descontos abusivos e impossíveis de serem praticados por estabelecimentos que, como a Bifarma e tantas outras, somente vendem medicamentos com procedência comprovada", desabafa o executivo.
Correa finaliza dizendo que esses processos devem ser desenvolvidos de uma forma fácil para a identificação do consumidor. "O rastreamento também trará custos para todos os envolvidos no processo: a indústria, os distribuidores, o varejo e os governos. É preciso ter cuidado para que eles não sejam repassados para o consumidor", diz.