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Saúde Pública
O momento é de cautela
A influenza a (h1n1), conhecida popularmente como gripe suína, é uma doença respiratória aguda que tem tratamento. Saiba como orientar e esclarecer as dúvidas de seus clientes

Por Egle Leonardi

Shutterstock

O número de casos suspeitos e em monitoramento da gripe suína no País permaneceu estável. Até o dia 20 de maio (data em que esta edição do guia da Farmácia entrou em gráfica), o Ministério da Saúde acompanhava 18 casos suspeitos de influenza A (H1N1), conhecida como gripe suína, no País. Os casos suspeitos estão nos seguintes Estados, além do Distrito Federal: São Paulo, Minas Gerais, Amapá, Amazonas, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia e Sergipe. Além disso, 15 casos estavam em monitoramento, em sete Estados, e 280 foram descartados.

O Que significa a (H1n1)


Os vírus da gripe humana são classificados em A, B ou C. A letra A, no início da sigla, indica o potencial de fazer adoecer o maior número de pessoas. Este critério indica que se está lidando com o maior nível de potência da doença.

A letra H, de H1N1, é a inicial de hemoglutinina, uma proteína localizada na superfície externa do vírus, e que ele utiliza para se fixar nas células humanas. A letra N é a inicial de neuraminidase, uma proteína que quebra os açúcares da célula sob ataque para liberar novos vírus. Como as duas proteínas se localizam no lado externo do vírus, são elas que o sistema imunológico detecta e que os cientistas buscam como forma de matar o vírus.

Até essa data, foram confirmados oito casos da doença, nos Estados do Rio de Janeiro (3), de São Paulo (2), de Minas Gerais (1), do Rio Grande do Sul (1) e de Santa Catarina (1). Para todos os casos, o Ministério da Saúde informou que estavam sendo realizados busca ativa e monitoramento de todas as pessoas que tinham estabelecido contato próximo com esses pacientes. Entre os casos registrados, dois foram contraídos dentro do território brasileiro, o que fez do país um dos dez no mundo que apresentaram a chamada transmissão autóctone.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o H1N1 já foi confirmado em quase 10 mil pessoas em 41 países, causando 79 mortes - a maioria no México, o epicentro da doença.

O Brasil está bem preparado para uma possível pandemia. Isso porque o governo brasileiro já havia começado a estruturar sua rede de vigilância para influenza há nove anos (em 2000). Por causa de uma então possível pandemia de gripe aviária, em 2003, o governo brasileiro constituiu um comitê técnico para a elaboração do plano de preparação brasileiro para o enfrentamento de uma pandemia de influenza. Esse plano está pronto há mais de dois anos e começou a ser colocado em prática no momento em que o Brasil foi notificado pela OMS em virtude dos casos de influenza A (H1N1), em 25 de abril do ano passado.

O Brasil conta com 54 centros de referência preparados para tratar possíveis doentes. Essas unidades se enquadram nos parâmetros exigidos pela OMS para o atendimento à doença, com área livre para isolamento de contato, equipamentos de proteção individuais para acompanhamento, exames e tratamento dos casos.

Alerta da OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um alerta aos governos de países do Hemisfério Sul para monitorarem os surtos de gripe com a chegada do inverno, já que a temperatura mais baixa poderia favorecer também a propagação do vírus A (H1N1), causador da gripe suína. Os vírus da influenza (gripe comum) se propagam mais facilmente durante os meses de inverno, pois podem sobreviver mais tempo na superfície por conta do frio e da umidade. A estação também propicia maior concentração de pessoas em locais fechados, o que facilita a propagação dos vírus.

De acordo com a definição do Ministério da Saúde, são consideradas suspeitas de ter a doença pessoas provenientes de qualquer área dos países com confirmação de casos e que, além disso, apresentem os sintomas da influenza A (H1N1) ou tenham tido contato próximo com pessoas infectadas.

"Os farmacêuticos devem informar à população que o uso indevido do medicamento pode até tornar o vírus da gripe suína resistente ao tratamento, ou seja, não há necessidade de as pessoas comprarem o medicamento apenas por medida de precaução"

Raquel Rizzi, presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo

"Caso o farmacêutico receba um paciente com febre repentina acima de 38 graus acompanhada de um ou mais sintomas, como tosse, dificuldade respiratória, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, e que tenha retornado de algum país afetado nos últimos dez dias, a orientação é que encaminhe o paciente imediatamente a um médico", alerta a presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo, Raquel Rizzi.

Ela afirma que, assim como qualquer outro medicamento que exige apresentação de receita, não é recomendável o uso do Tamiflu sem indicação médica. "Os farmacêuticos devem informar à população que o uso indevido do medicamento pode até tornar o vírus da gripe suína resistente ao tratamento, ou seja, não há necessidade de as pessoas comprarem o medicamento apenas por medida de precaução", declara.

Segundo o infectologista do Hospital Santa Catarina, de São Paulo (SP), Marco Antônio Cyrillo, o momento é de expectativa e de cautela, já que a gripe suína se espalhou pelo mundo e causou diversas mortes. "O fato é que a taxa de mortalidade dela é maior do que se esperava. Por outro lado, esse índice tem se apresentado menor do que nas pandemias anteriores, quando não havia tantos recursos e unidades de terapia intensiva", revela. Ele ressalta que o mais importante no momento é a informação, e com ela a precaução, mas não é preciso alarme. "A previsão é que o número de casos da gripe suína aumente, porém o número de mortes deve se estabilizar", diz Cyrillo.

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Edição 214 - Setembro/2010


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