Um grande exemplo a ser seguido pelo varejo é o Grupo Pão de Açúcar, que há 15 anos investe em energia sustentável (só em 2007 foram Rr$ 20 milhões). Em junho de 2008, inaugurou em Indaiatuba a primeira loja verde da América Latina, totalmente construída e administrada para ser sustentável, a qual trabalha baseada em quatro pilares: reduzir, reciclar, reutilizar e desenvolver.
A cidade de Indaiatuba foi escolhida porque é toda voltada para a sustentabilidade e porque a loja precisava estar a um raio de 100 quilômetros de onde todos os fornecedores estivessem. As instalações contam com 1.679 metros quadrados de área construída em um terreno que soma 3 mil metros quadrados e tem 30% de área impermeável.
"A construção de uma loja verde tem que partir do zero, algumas adaptações em lojas já construídas são possíveis, mas a adaptação por inteiro é inviável", diz o diretor de relações corporativas e responsabilidade socioambiental (RSA) do grupo, Paulo Pompilio.
Segundo ele, sustentabilidade tem que trazer economia. Tudo foi pensado para a loja ser rentável, para ganhar dinheiro. Na loja de Indaiatuba, por exemplo, há aproveitamento da luz natural. telhado com iluminação zenital melhora a luminosidade em 80% e a redução na conta de energia chega a 14%.
O uso racional da água também trouxe economia mensal de cerca de 100 mil litros para a loja de Indaiatuba. "A instalação de torneiras com sensores evita o desperdício. Mas também é necessário investir no treinamento dos funcionários, que precisam entender o objetivo dos esforços em busca da economia e do uso racional dos recursos e saber comunicar isso aos clientes.
O funcionário precisa se envolver, precisa vender o conceito de sustentabilidade aos clientes, mostrar o que há de diferente, pois é ele quem ajuda o varejo a atingir seus objetivos", ressalta Pompilio, que ainda diz que os funcionários tiveram treinamento exclusivo em sala de aula, antes da inauguração da loja, e que de tempos em tempos a empresa faz a reciclagem dos conceitos, para que eles possam passar a informação corretamente.
A obra custou 10% a mais do que a construção de uma loja normal, um investimento de Rr$ 7,5 milhões. Mas, de acordo com Pompilio, o que se economiza com energia e água já dá para pagar esse gasto a mais. "O retorno financeiro vem de três a cinco anos, e está previsto dentro do projeto de retorno normal para todas as lojas do grupo", explica Pompilio.
Quando o cliente chega à loja verde, ele é impactado pela forte comunicação apresentada, e essa comunicação é limpa, não há uso de papel e tinta: as informações são escritas em lousas, com giz.
Pompilio diz acreditar que o pequeno varejo pode, sim, se tornar sustentável e pode começar com as iniciativas que trazem o maior retorno, como a economia de energia e água.
De acordo com o gerente da loja de Indaiatuba, Leandro Plentz, por dia, de segunda a sexta-feira, cerca de 1.700 pessoas fazem compras na loja, e aos sábados e domingos a estimativa chega a 2.800 pessoas por dia.