Fazer uma balança do ano é lembrar, sem dúvida, das propostas e resoluções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Como a revisão das RDC 94/2008 e 95/2008 que tornaram obrigatória a padronização das bulas dos medicamentos específicos e fitoterápicos onde os textos terão que ter uma linguagem mais acessível, letras maiores e parágrafos mais espaçados a fim de facilitar a leitura e o entendimento dos consumidores - os laboratórios têm até 2011 para se adaptar às essas mudanças.
A quem discuta que a farmácia não é comércio. Mas a Justiça liberou a venda de não-medicamentos nas farmácias e drogarias de todo o País, suspendendo a RDC 69/07 da Anvisa que proibia tal comercialização. Também não podemos esquecer da RDC 44/09 que exige que medicamentos, inclusive os isentos de prescrição médica (MIPs) fiquem atrás do balcão para que o usuário faça a solicitação ao farmacêutico e receba o produto com a orientação necessária. As farmácias associadas à Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) não precisarão trabalhar dessa forma, devido uma liminar que a Associação conseguiu. Mas as independentes deverão seguir as normas dessa resolução (pelo menos até o presente momento).
Para ampliar os mecanismos de proteção da saúde da população, no início de dezembro, instituiu-se que as mostras grátis distribuídas pelos laboratórios deverão seguir os padrões de fabricação e embalagens dos produtos originais registrados na Anvisa, apresentando os mesmos instrumentos de rastreabilidade, autenticidade e com a expressão "Venda Proibida". Os prescritores (médicos, odontólogos e veterinários) passam a ser responsáveis pela conservação e validade do estoque de amostras mantido no consultório. No caso dos antibióticos, os profissionais deverão entregar ao paciente a quantidade suficiente para o tratamento. O objetivo desta medida é evitar que um tratamento incompleto provoque a resistência dos microorganismos causadores da infecção, possibilitando o agravamento da doença.
Para a diretora de Sustentabilidade & Novos Negócios da Eurofarma, Maria Del Pilar Muñoz, o fato mais marcante da indústria farmacêutica deste ano foi à aquisição de investimentos no País. "A compra da Medley pela Sanofi e a fusão da Pfizer/Wyeth merecem destaque. Estamos acompanhando de perto a estratégia de alguns correntes", Maria Del Pilar Muñoz.
A consolidação dos genéricos também foi um marco importante. Ao completar dez anos no mercado brasileiro, até o mês de maio, foi responsável por mais de 18% do volume das vendas do setor e contribuiu para que a população economizasse cerca de 11 bilhões de reais com a saúde.
Por falar em saúde, uma das grandes preocupação do ano foi a gripe suína (vírus H1N1) que fez disparar as vendas de antissépticos, máscara respiratórias e de antigripais para evitar o contágio pelo vírus. Com isso, as vendas do Tamiflu, principal antiviral usado contra o vírus, da Roche, alcançaram cerca de US$ 930 milhões - as doses devem ser distribuídas no início de 2010.
Também não podemos esquecer de citar o crescimento da indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPC) que, em termos de produção, só perde para os Estados Unidos e Japão. E também de algumas aquisições como a Hypermarcas que entrou no segmento de preservativos adquirindo as marcas Jontex e Olla, da então Johnson&Johnson. Já a Procter&Gamble recebeu o Prêmio de Marketing e Inovação "Produto do Ano", cuja escolha foi feita através de pesquisa realizada com os 3.000 consumidores nas principais capitais do Brasil.