O ano de 2009 foi, sem dúvida, um divisor de águas para o setor farmacêutico.
A RDC 44/09, que entra em vigor em fevereiro, ainda passa por muitas contestações, seja da indústria ou de entidades de classe. Mas o fato é que essas medidas alteraram não só o canal farma, como também o dia a dia dos profissionais da área, os farmacêuticos.
Esses especialistas ganharam mais responsabilidades e são, mais do que nunca, peças-chave dentro de qualquer
farmácia.
O coordenador do curso de Farmácia do Centro Universitário São Camilo – SP, Alexsandro Macedo da Silva, acredita que a RDC 44 traz à tona um novo conceito para farmácias e drogarias, reforçando o real papel do farmacêutico nestes estabelecimentos. “Esses profissionais passam a ser gestores dos serviços de farmácia, orientando e acompanhando o usuário do medicamento. A RDC 44 RAMOS reconhece a atividade de Atenção Farmacêutica, que poderá ser cobrada, além de outros serviços”, avalia o especialista, reforçando que os estabelecimentos farmacêuticos deixam de se caracterizar apenas pela venda de medicamentos, passando a ser vistos como promotores de serviços relacionados à prática desses profissionais.Aliás, a RDC 44 fez com que a Atenção Farmacêutica ficasse, de fato, ao alcance da população, segundo avalia o diretor de marketing da rede Drogão, Nelson de Paula. “O uso racional de medicamentos deixa de ser teórico para fazer parte do dia a dia do profissional farmacêutico”, acrescenta.
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A palestrante e consultora especializada em treinamento, desenvolvimento e marketing de varejo Silvia Osso também avalia que o papel do farmacêutico mudará relevantemente, na medida em que os proprietários das farmácias, principalmente das independentes, terão de se profissionalizar para adequar as farmácias às novas expectativas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Para que a farmácia passe a praticar Assistência Farmacêutica, será necessário que as lojas se adequem fisicamente e os farmacêuticos, profissionalmente”, afirma.
OS FARMACÊUTICOS TERÃO DE SE PREPARAR MUITO
Sabe-se que, a partir de agora, com essa resolução, os Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) devem ficar atrás do balcão, e não mais nas gôndolas, ao alcance do consumidor. Portanto, esses medicamentos devem passar a ser dispensados por farmacêuticos. De acordo com o coordenador do curso de Farmácia da Universidade Anhembi Morumbi, Geraldo Alécio, esse modelo resgata a atuação farmacêutica da década de 60, quando o farmacêutico podia receitar. “Com essa medida, passa a ser papel desse profissional realizar o diagnóstico de doenças sem maior gravidade, como resfriados ou dores moderadas de cabeça”, constata. “Também será responsabilidade desse profissional identificar se o paciente está com uma doença de fato, leve, ou uma enfermidade maior, que pode estar mascarada com sintomas moderados, o que implica a procura imediata de um médico”, conclui o especialista.
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