De modo geral, 2011 foi muito favorável para as indústrias farmacêuticas no Brasil. O incremento do setor é maior que o registrado em outros países em desenvolvimento, perdendo apenas para a China. Algumas justificativas para esse cenário tão positivo são a ascensão das classes C e D, o respectivo aumento da preocupação com a saúde e a estética que vem beneficiando os laboratórios e os estabelecimentos comerciais, isso, sem esquecer a valorização do real, já que grande parte da produção brasileira depende da importação de insumos.
Embora os números ainda não tenham sido fechados, o varejo farmacêutico deve crescer 10% e atingir a cifra de R$ 41 bilhões de faturamento em 2011. Entre mar- ço de 2010 e abril de 2011, o se- tor movimentou cerca de R$ 37,7 bilhões. Esses dados fazem parte da pesquisa Panorama do mercado farmacêutico na América Latina e Brasil, do IMS Health.
Já o dados divulgados pela Fiocruz mostram que, apesar de o governo ter adotado políticas de incentivo para estimular a produção da indústria farmacêutica nacional, com a quebra de patentes e maior agilidade no registro de genéricos, o País continua dependente da importação de medicamentos, com déficit em torno de US$ 8 bilhões.
Mesmo com alguns números favoráveis e outros nem tanto, vale lembrar que há forte expectativa no mercado farmacêutico de um possível aumento no preço dos medicamentos, o que seria, em minha opinião, uma compensação razoável para que o mercado consiga sobreviver, principalmente as
pequenas farmácias estabelecidas nos seis mil municípios onde não há a
presença das grandes redes. Elas precisam ter uma saúde financeira boa, já que são importantes prestadoras de serviço de saúde à população local.
Importante frisar que, de acordo com o Conselho Federal de Farmácia (CFF), há 82.204 farmácias e drogarias no País, sendo 18.598 estabelecidas em capitais e 63.606 em cidades do interior. Todas elas se beneficiariam com um aumento do setor, porém as pequenas seriam mais bem remuneradas pelo excelente serviço prestado à comunidade em que atuam.
João Franco de Godoy Filho é presidente do Sindicato do Comércio Atacadista de Drogas e Medicamentos no Estado de São Paulo (SINCAMESP - www.sincamesp.com.br). Conselheiro-Executivo da Câmara do Comércio de Produtos Farmacêuticos da CNC
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