A Retocolite Ulcerativa (RCU) é uma inflamação intestinal que se manifesta com diarreia com sangue, muco – às vezes pus e dor abdominal (cólica). Os pacientes sofren de crises persistentes de diarreia, que ocorrem a qualquer hora, provocando constrangimentos e desconfortos.
A RCU, quando com promete substancialmente o intestino grosso (RCU esquerda e RCU universal), após 8-10 anos (no caso da RCU universal) e 15 anos (no caso da RCU esquerda), pode predispor ao câncer colorretal, razão pela qual os pacientes nessas situações requerem acompanhamento com exame periódico de colonoscopia, a cada 1-2 anos.
Na fase de atividade da doença, os pacientes preferem ficar em casa e
faltam no trabalho; em certos casos pode haver o abandono das atividades profissionais. A queda do orçamento doméstico, adicionada aos gastos com exames complementares, internações e tratamentos, reflete o grande impacto financeiro na vida dos pacientes com RCU.
A alimentação passa a ter muitas restrições em alguns casos, como o não consumo de alimentos que contêm fibras (cascas de frutas e verduras), de leite e derivados e de bebidas fermentadas (vinho, cerveja e champanhe). Outro incômodo é o chamado “tenesmo”, reflexo da inflamação retal, e que corresponde ao desejo urgente de evacuar, porém, quando o paciente evacua, só elimina sangue, muco ou pus ou apenas uma pequena quantidade de fezes. Isto pode se repetir inúmeras vezes ao longo do dia e da noite. Diante desse quadro, a vida sexual pode ser prejudicada e até ser
interrompida, pois a pessoa se sente desconfortável com seu próprio corpo e com os sintomas que apresenta.
Todas essas complicações também podem ser agravadas pela condição emocio- nal dos pacientes, que acabam apresentando algum grau de depressão ou ansiedade, em decorrência da paralisação de sua vida social. Os tratamentos buscam tirar o paciente da crise e mantê-lo estável, além de restaurar a normalidade da mucosa intestinal, com o fim de incrementar a qualidade de vida do paciente. No entanto, essas terapias exigem a ingestão de vários comprimidos diariamente, distribuídos ao longo do dia, sendo necessário, muitas vezes, adicionar o uso de medicação por via retal (supositórios ou enemas), o que diminui a adesão do paciente ao tratamento.
Recentemente, chegou ao mercado brasileiro uma nova opção de tratamento com o uso da tecnologia MMX. A novidade possui maior dose de mesalazina por comprimido, substância utilizada para combater a inflamação intestinal, e um revestimento que retarda a liberação do principio ativo, prolongando sua dissolução por toda a extensão do intestino grosso ao longo de 24 horas, com possibilidade de não se utilizar o medicamento por via retal. A partir do momento em que o paciente precisa ser medicado apenas uma vez ao dia, ele tende a incorporar o tratamento a sua rotina, melhora a adesão ao tratamento o que, consequentemente, facilita o controle da doença.
Dr. Adérson Damião é médico assistente-doutor do Departamento de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)
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