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Planos para genéricos

planos-para-genericos.jpgSegmento avança para desenvolver medicamentos de base biotecnológica. Laboratórios nacionais juntam-se para explorar essa nova tecnologia

O bom momento que atravessa o setor de genéricos – crescimento na casa dos dois dígitos anuais desde que surgiram, em 1999 (32,2% de acréscimo nas vendas só em 2011) – tem estimulado as indústrias a investir forte e a apostar em novas possibilidades de desenvolvimento. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos), que reúne as maiores fabricantes de genéricos do País, o segmento deverá receber investimentos estimados em US$ 1,5 bilhão até 2014. Tais recursos serão aplicados em novas plantas e ampliação de unidades fabris, lançamentos de produtos e novas linhas de medicamentos. O setor de genéricos caminha para um novo estágio de produção e consumo, incluindo a fabricação de medicamentos inovadores, como os biotecnológicos, voltados a enfermidades e tratamentos mais complexos: drogas contra rejeição a transplantes, para tratar o câncer e doenças autoimunes. “Na verdade, esse movimento representa um novo patamar de desenvolvimento da indústria farmacêutica instalada no País e não apenas no segmento de genéricos. Um rumo que responde a uma dinâmica natural do mercado”, observa o vice-presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini.

 

Produtores de genéricos do Brasil estão interessados num naco de um mercado que movimenta cerca de US$ 160 bilhões anuais e cresce, em média, 12% ao ano no mundo todo. Esse é o tamanho do setor de biomedicamentos, um dos segmentos mais promissores da indústria farmacêutica global atualmente. Segundo especialistas, em pouco mais de uma década, os medicamentos biológicos devem responder pela maioria da produção farmacêutica. Estudos preveem que, a partir de 2014,  produtos biotecnológicos passem a representar 50% dos fármacos mais vendidos em todo o mundo. São medicamentos inovadores, produzidos a partir de organismos vivos e moléculas complexas. Curiosamente, os biofármacos são conhecidos há mais de dois séculos pela medicina – as vacinas são os exemplos mais emblemáticos. Porém, de uma década para cá, a indústria farmacêutica resolveu apostar em uma nova abordagem para esses medicamentos obtidos a partir de células vivas, desenvolvendo drogas capazes de agir praticamente de forma individualizada em determinados tratamentos, ampliando as possibilidades de cura e minimizando efeitos colaterais. A técnica utilizada na produção dos medicamentos biológicos consiste em fazer com que as células de animais ou bactérias cultivadas passem a produzir determinadas substâncias a partir da inserção de material genético previamente modificado em laboratório.

Pela complexidade envolvida no processo produtivo –  aporte de muita tecnologia, estudos e mais testes clínicos do que qualquer produto químico –, a produção de medicamentos biológicos requer altos investimentos, fazendo com que tais medicamentos tenham seu valor elevado. Normalmente eles custam de 50 a 1.000 vezes mais do que os medicamentos sintéticos. Na maioria das vezes, são necessários dez anos de pesquisa para que um novo produto chegue ao mercado. Por conta disso, laboratórios brasileiros decidiram unir forças para investir na produção de medicamentos biotecnológicos. Aché, EMS, União Química e Hypermarcas formaram uma joint venture e criaram a Bionovis. Cada um tem 25% da nova companhia, que nasce sob as bênçãos do governo federal, que vê na superfarmacêutica nacional a possibilidade de reduzir o déficit da balança comercial da saúde, que registrou US$ 11 bilhões em 2011. E também porque o Estado é um dos principais compradores de medicamentos, arcando com aproximadamente 60% desse montante. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deverá ser financiador da Bionovis, que exigirá investimentos de R$ 500 milhões. Os sócios devem aplicar cerca de 40% dos recursos necessários para iniciar a companhia. Do investimento total, R$ 150 milhões serão empregados na construção da fábrica (disputada por Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina e que deverá ser concluída em 2013) e o restante será aplicado na instalação do laboratório e em pesquisa e desenvolvimento de medicamentos e estudos clínicos, etapa mais onerosa do projeto.

Apesar de o foco da nova empresa ser inovação e pesquisa, os primeiros medicamentos produzidos pela Bionovis serão biossimilares. Esse tipo de medicamento é uma espécie de “genérico” do medicamento biológico inovador. A definição serve apenas para ilustrar, mas é imprecisa uma vez que os genéricos são cópias químicas exatas de medicamentos tradicionais, enquanto as cópias dos produtos biológicos poderão ser apenas similares, tendo em vista a manipulação de organismos vivos. A opção da Bionovis pelos biossimilares visa ganhar tempo e experiência na produção do medicamento de base biológica – se tivesse que desenvolver o produto a partir do zero a empresa acredita que seria necessário ao menos uma década até conseguir lançar uma droga. O primeiro da lista de produção da Bionovis deverá ser a substância Etanercepte, que tem como referência o produto Enbrel, voltado para o tratamento de artrite e psoríase, cuja patente venceu este ano. Outra que deverá ser lançada pela empresa é a Rituximabe (Mabthera), para combate do câncer. A molécula Infliximab (Remicade), para tratamento de doenças autoimunes, a Trastuzumab (Herceptin), para câncer, e mais cinco drogas devem também ser produzidas pela Bionovis. A expectativa da empresa é de que o primeiro medicamento seja colocado no mercado entre 2015 e 2016.

A ideia da constituição de um superlaboratório brasileiro para explorar medicamentos biotecnológicos teve início em 2010 e envolvia, além dos sócios da Bionovis, Biolab, Cristália, Eurofarma e Libbs. No entanto, as discussões não avançaram, o grupo se dividiu e os quatro remanescentes optaram por criar outra empresa, batizada de Orygen Biotecnologia, que acabou se tornando concorrente da Bionovis na produção de medicamentos biológicos e biossimilares. Cada laboratório detém 25% da Orygen, que vai exigir aporte de R$ 500 milhões para entrar em funcionamento, sendo que o BNDES também poderá ser acionado para participar do projeto. Ainda não há previsão de quando serão produzidos os primeiros medicamentos e nem quais serão eles. Dos componentes dessa joint venture, Eurofarma e Cristália já têm experiência em trabalhar juntos, pois são sócios na Supera RX Medicamentos, da qual participa também a MSD, voltada a promover, distribuir e comercializar produtos das três companhias. Biolab e Eurofarma, por sua vez, também são parceiras da Incrementha, empresa de pesquisa e inovação que tem como foco o uso da nanotecnologia como plataforma para o desenvolvimento de drogas.

“Os laboratórios farmacêuticos de capital nacional focaram inicialmente sua atuação nos genéricos, mas sempre souberam que o desenvolvimento sustentado do mercado de medicamentos no Brasil não pode depender somente de cópias. Requer também investimentos na descoberta de medicamentos inovadores”, observa Nelson Mussolini. Para o executivo, essas empresas, capitalizadas pelo bem-sucedido esforço de introduzir os genéricos ao longo da última década – o que as fez praticamente dividir o mercado farmacêutico brasileiro com os laboratórios internacionais –, agora se lançam no desafio de desenvolver medicamentos de base biotecnológica. “Cumpre-se, assim, a vocação histórica do setor de pesquisar e desenvolver novos medicamentos. E, do ponto de vista estratégico para o País, isso está acontecendo no momento certo”, sustenta Mussolini.

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