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Riscos de uso incorreto de medicamentos

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Um dos principais problemas é a interação medicamentosa. Para evitar reações indesejadas dos MIPs é fundamental conhecer o produto e seu uso correto

Medicamentos isentos de prescrição (MIPs) são eficazes para o alívio de sintomas e males menores, mas não são indicados para tratamentos que visam cura ou controle de doenças de longa duração ou de maior gravidade. A lista de transtornos não graves é extensa e inclui casos ligados à dor e inflamação, transtornos gastrintestinais, problemas respiratórios, algumas doenças de pele. “Os medicamentos isentos de prescrição por si só não apresentam riscos. São produtos que tratam sintomas, e não patologias”, observa Alexandre França, diretor-geral da Aspen Pharma. “Ou seja, ele irá tratar a dor de cabeça, mas não a origem da dor de cabeça. Ele irá combater a coriza, normalmente fruto de um quadro viral, onde tudo o que se pode fazer é esperar o alívio dos sintomas, mas não a gripe.” Porém, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além dos efeitos colaterais inerentes a qualquer tipo de medicamento, o MIP pode atrasar o diagnóstico de uma doença se utilizado de forma abusiva ou sem orientação.

Sintomas persistentes podem ser sinal de outro problema de saúde. O grande risco do MIP é mascarar sintomas de uma doença mais grave, alerta Cassyano J. Correr, professor da Universidade Federal do Paraná. “Mesmo se o medicamento for de uso corriqueiro, cuidado com aqueles sintomas que sempre voltam, pois podem ser sinal de uma doença mais grave. Por isso se deve seguir sempre o alerta: se persistirem os sintomas, procure o médico para diagnóstico e tratamento adequado”, adverte o professor. Um dos principais sinais para se decidir por uma consulta médica é quando o tratamento com MIP falhar. Uma febre que não cede por dois, três dias ou é muito alta, uma dor de cabeça intensa e persistente são sinais de que é melhor consultar um médico, dizem os especialistas. “Deve-se procurar o médico quando os sintomas não melhoram em horas ou dias, dependendo do MIP, ou quando surgirem efeitos indesejados causados pelo medicamento, como alergias pelo corpo, dores de cabeça ou sintomas digestivos”, afirma o professor Correr. “Para cada transtorno menor existem alguns sinais de alerta que indicam necessidade de consulta com o médico. Esses sinais podem ser avaliados apenas pelo farmacêutico, por isso é recomendável consultá-lo antes de se automedicar, principalmente para sintomas que o paciente nunca teve antes.”

“Todo medicamento tem efeitos colaterais, mesmo os MIPs”, sustenta o médico infectologista Paulo Olzon Monteiro da Silva. “Analgésicos como paracetamol podem causar insuficiência hepática, anti-inflamatórios podem produzir confusão mental, dependendo da sensibilidade da pessoa. Em pacientes com doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, os efeitos dos anti-inflamatórios podem ser ainda mais graves e levar à insuficiência cardíaca. Sendo assim, o melhor mesmo é consultar o médico ou consumir o mínimo possível e ficar atento aos sintomas”, diz o Dr. Silva. Segundo os especialistas, o maior risco do uso de MIPs está relacionado ao abuso. “Isso acontece principalmente com analgésicos, descongestionantes nasais e laxantes. As pessoas acabam tornando-se dependentes desses medicamentos e atrasam, assim, o início de um tratamento adequado e eficaz”, resume Cassyano J. Correr.

Já a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, Rosany Bochner, coordenadora do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), destaca os efeitos adversos consequentes do uso abusivo e não racional dos medicamentos. “O uso indevido pode resultar em intoxicações graves, que implicam atendimentos dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATs), de médicos e até mesmo internações hospitalares”, revela. “Um MIP não está isento de causar intoxicações e efeitos adversos. Analgésicos podem levar a intoxicações crônicas, mantendo permanentes quadros de dor, os descongestionantes nasais causam dependência”, pondera a pesquisadora, lembrando que a automedicação tem importante papel tanto nos casos acidentais de intoxicação como nas tentativas de suicídio, uma vez que o hábito propicia o armazenamento de grandes quantidades de medicamentos nas residências. “Não se pode desprezar os prejuízos emocionais para as famílias que tiveram um filho intoxicado por um simples MIP que faz parte da ‘farmacinha caseira’. Sem contar o excesso de medicamentos que sobram nas residências depois de vencidos e que não há como descartá-los de forma segura no meio ambiente”, acrescenta Rosany.

Para a pesquisadora da Fiocruz, automedicação só pode ser considerada responsável se um farmacêutico for consultado, para que seja adquirido o medicamento mais indicado em relação aos sintomas descritos, levando em consideração os que já vêm sendo utilizados. “Para evitar problemas como a interação medicamentosa com o uso de MIPs, consulte sempre o farmacêutico, informando os medicamentos que está utilizando e siga suas orientações”, diz Rosany. Interação medicamentosa é um dos principais problemas que podem ocorrer com o uso dos MIPs. São reações que acontecem quando se misturam certos medicamentos com alimentos, bebidas ou outros medicamentos. Algumas interações podem produzir reações indesejáveis, tornando um medicamento menos eficiente ou mesmo ineficaz. Alguns antiácidos, por exemplo, podem reduzir a ação de antibióticos. Misturar álcool a certos medicamentos, como antialérgicos e sedativos, pode deixar o usuário sonolento ou diminuir seus reflexos.

Mesmo o uso de vitaminas e polivitamínicos pode trazer prejuízos se utilizados com outros medicamentos ou aplicados por muito tempo. “Tomar medicamentos profilaticamente também inclui riscos, pois é preciso analisar até que ponto esse uso é necessário”, explica José Luis Maldonado, assessor técnico do Conselho Federal de Farmácia (CFF). “O que leva um paciente a usar vitamina C ou sais minerais? Qual a quantidade correta? Por quanto tempo? Que influência tal uso terá no organismo? Estas são perguntas que todo paciente deve fazer ao farmacêutico antes de tomar a decisão de utilizar medicamentos com tal finalidade”, diz Maldonado. “Não recomendo o uso de vitaminas e sais minerais como preventivos por longo prazo, pois não há evidências científicas claras que sustentem este uso”, adiciona Cassyano Correr. “Para pessoas com níveis altos de estresse e alimentação inadequada, esses suplementos podem ajudar por um tempo limitado a semanas ou meses. Mas o equilíbrio não será alcançado pelo uso dos medicamentos. Em geral, para aquelas pessoas que insistem no uso para fins preventivos apenas, eu diria cuidado, principalmente com as doses diárias de cada vitamina, principalmente as chamadas lipossolúveis.”, adverte o professor.

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